Patrícia Campos Mello ganha prêmio Maria Moors Cabot de jornalismo

Prêmio celebra trajetória profissional. A repórter Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, foi premiada com o Maria Moors Cabot de 2020, oferecido pela Universidade de jornalismo de Columbia. Trata-se da mais relevante distinção concedida nos Estados Unidos a jornalistas estrangeiros. Também receberam o prêmio os jornalistas Ricardo Calderón Villegas (Colômbia), e os norte-americanos Stephen Ferry e Carrie Kahn

Jornalista Patrícia Campos Mello recebeu prêmio Maria Moors CabotDivulgação/Universidade Columbia

No anúncio da premiação, a Universidade Columbia afirmou que, “ao longo de sua premiada carreira, Campos Mello produziu de maneira consistente trabalhos excepcionais que tiveram 1 grande impacto no Brasil, onde ela inspira outros jornalistas“. Eis a íntegra do comunicado (em inglês).

“Honra imensa receber o prêmio Maria Moors Cabot da Columbia University. Recebo em nome dos jornalistas brasileiros, em especial as mulheres, que fazem seu trabalho, apesar da intimidação. Agradeço ao Sérgio Davila e todos da Folha, ao Paulo Sotero, à Abraji e ao Rosental Alves“, declarou a jornalista sobre a premiação.

Formada em jornalismo pela USP (Universidade de São Paulo), Patrícia é autora do livro “Lua de Mel em Kobane” (Companhia das Letras), pub

Ela ganhou destaque nacional ao publicar, em 2018, reportagens sobre o financiamento de empresas a agências que realizavam disparos em massa de mensagens por aplicativos de mensagem para beneficiar candidatos às eleições –prática vedada pela Legislação Eleitoral.


Em fevereiro deste ano, Patrícia foi insultada pelo presidente Jair Bolsonaro, que fez insinuação sexual com uma expressão de duplo sentido ao se referir a uma acusação de Hans River do Rio Nascimento. Hans River é ex-funcionário da Yacows, uma das empresas que teria feito disparos na campanha de 2018. Ele disse em depoimento à CPMI das fake news no Congresso, sem apresentar provas, que Patrícia teria oferecido sexo em troca de informações para a reportagem. Ela nega.

Sobre as declarações de Hans River, Bolsonaro afirmou: “Ela queria 1 furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim”, disse o presidente. Entre repórteres, o jargão “dar 1 furo” significa publicar uma informação antes dos concorrentes. Ao usar a expressão, o presidente enfatizou o duplo sentido da palavra quando se referiu à jornalista.

CONHEÇA O MARIA MOORS CABOT
O Maria Moors Cabot foi criado em 1938. Passou a ser entregue no ano seguinte, em 1939. É o prêmio de jornalismo mais antigo do planeta. A faculdade de jornalismo da Universidade Columbia faz a curadoria das premiações, cujo prestígio rivaliza com o Pulitzer, concedido pela mesma instituição.

O jornalista Fernando Rodrigues, diretor de Redação do Poder360, recebeu o prêmio em 2018. Antes dele, outros jornalistas e publishers brasileiros homenageados foram Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda, Paulo Sotero, Roberto Marinho, Roberto Civita e Otavio Frias Filho. Mais recentemente, o prêmio foi entregue aos jornalistas Rosental Calmon Alves, Clóvis Rossi, Dorrit Harazim, José Hamilton Ribeiro, João Antonio Barros, Mauri Konig, Merval Pereira e Miriam Leitão.

Segundo informa a página do Prêmio Cabot, os escolhidos devem ser pessoas reconhecidas por sua atividade “excepcional e corajosa e que tenha impacto na sociedade” e com uma “carreira longa e relevante”. A premiação também considera os profissionais que apresentam uma “contribuição sustentável para o entendimento interamericano por meio da cobertura que fazem das Américas (…) e jornalistas que tiveram papel importante em defesa da liberdade de expressão”.

O prêmio Maria Moors Cabot foi criado em 1938 pelo empresário Godfrey Lowell Cabot. Ele fundou a Cabot Corporation, em 1882 em Boston, no Estado de Massachusetts, nos EUA. Filantropo, Cabot foi 1 importante colaborador do MIT e da universidade Harvard. A homenagem para jornalistas foi idealizada em memória da mulher de Cabot, Maria Moors Cabot.

Desde o seu início, o prêmio teve a curadoria e foi concedido pela Universidade Columbia, de Nova York.
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Por: Paulo Melo

"Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida." (Bob Marley)

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